sábado, 18 de dezembro de 2010

Fim do ano


    Olá, pessoal. O ano está chegando ao fim.Mais um ano de trabalho, luta, avanços e decepções. E final de ano é aquela correria: fechamento de médias, entrega de documentos, reunião com os pais...e é ai que está o meu maior problema: É NA ÚLTIMA REUNIÃO que conheço alguns pais. Dá pra acreditar? Estou falando de pais cujos filhos têm 10 anos e foram abandonados intelectualmente pelos genitores!!!
    O que podemos esperar de uma criança que, praticamente mora sozinha? Elas não têm apoio familiar algum, não fazem suas atividades, pois sabem que são completamente livres para fazerem o que desejarem e, consequentemente, não valorizam a escola e, sobretudo, os professores.
    A mídia mostra o estado deprimente das escolas de Ensino Fundamental 2 e de Ensino Médio: violência contra alunos e professores, escolas sem manutenção alguma...Mas e o que acontece nas escolas de Ensino Fundamental 1, com alunos entre 6 e 10 anos? Os mesmos problemas , ou melhor, é no Ensino Fundamental 1 que os alunos começam a depredar, machucar, ferir...afinal de contas eles são livres para fazerem o que desejarem...Não têm limites!! Os professores sim, esses têm muitos limites. Nada pode ser feito, quase nada pode ser dito, não há punição...eles são menores...Mas podem votar aos 16 anos. Podem escolher Tiriricas, já que o Brasil é um grande circo. Aliás, a escolha desse candidato e sua vitória com um número absurdo de votos é mais um exemplo para nossas crianças e jovens de que não é necessário ter estudo para conseguir um bom emprego público. É uma pena.
     Será que ninguém percebeu ainda a gravidade do caso?!? Enquanto a sociedade não der à educação o valor que ela merece, os casos de erros médicos, atendimento precário na indústria e no comércio, enfim, péssimos profissionais no mercado de trabalho só aumentarão.   
     Infelizmente, nem o governo e muito menos as famílias estão interessadas na formação de bons profissionais, ou melhor, bons cidadãos. As famílias porque acreditam que tudo é obrigação da escola e dos professores. Para elas, os professores devem "cuidar" de seus filhos em todos os aspectos e a escola funciona como um serviço de "babás". O importante é que seus filhos estejam " bem guardados" dentro do colégio.Muitas mães nem acordam para levarem seus filhos à escola e na época de férias reclamam de ter que aguentar as crianças. Isso é amor?
    Bom, vamos refletir um pouco e tentar encontrar meios de conscientização dos pais e da sociedade em geral, mostrando que educação é a base sólida para qualquer profissão.
abraços...con
   

   














   

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SARESP e valorização da educação no Brasil

Os alunos estão fazendo as provas do SARESP entre hoje e amanhã nas escolas da rede pública de São Paulo. Prova que mede em dois dias a capacidade dos professores. Essa é a verdade: o governo acredita que em dois dias de prova é possível avaliar o trabalho de um profissional e, a partir dos resultados, ele decide se os educadores daquela escola merecem receber bônus, um prêmio para os profissionais das escolas cujo índice do IDESP foi de acordo com o indicado pelo governo. É uma injustiça!!! Para se obter um índice justo para cada escola, seria necessário que os responsáveis por tal cálculo conhecessem a realidade de cada escola.
Até quando os profissionais da educação serão tratados com tamanho desrespeito? Parece que, em nosso país, quanto mais estudamos, menos valor temos!!!
Talvez o melhor negócio seja entrar para a política mesmo: não é necessário ter estudo, podemos votar pelo próprio aumento salarial, viajar pelo mundo com todo conforto...Para que estudar? É, realmente, agora consigo entender porque pais, alunos e população em geral não valorizam o estudo...É uma pena... abraços 

domingo, 7 de novembro de 2010

Justiça Social?

Olá. Hoje comecei a refletir sobre as oportunidades de um aluno de escola pública no BrasiL: Dia de ENEM. Quais as chances de um aluno que passou a vida inteira nos bancos de uma escola estadual? O que esse aluno pode esperar do mercado de trabalho? Como se sente esse aluno diante de outros vindos de escolas particulares, com aulas de língua estrangeira desde o Ensino Infantil, com professores comprometidos e dedicados, ( pois do contrário são demitidos no ano seguinte), e, na maioria , com pais comprometidos com a educação...    
Algumas pessoas podem irritar-se com minha visão, mas sou professora. Sei que existem alguns profissionais descomprometidos, que faltam demais e só estão no seu cargo público pela estabilidade... Assim como o governo, que mantém a política da progressão continuada para mostrar ao povo e aos investidores do mundo todo o quanto o nível da educação brasileira aumentou...Uma farsa!!! Somos pressionados diariamente a "dar notas" aos alunos. Somos pressionados pela direção da escola que recebe a mesma pressão da Diretoria de Ensino, da Secretaria da Educação, e assim por diante.
Agora pensem: como alcançar educação de qualidade num país como o Brasil, no qual há corrupção até na educação das  nossas pobres crianças? Até quando ficaremos tão acomodados? Até quando a política de nosso país será uma piada a ponto de acharem normal a candidatura de palhaços, humoristas, cantores, gente que sabe que a política no país é um ótimo emprego: não se trabalha, recebe-se muito, contrata-se parentes e... nada acontece...
O mais triste dessa história é o conformismo das pessoas. Quantas vezes você já não escutou alguém do seu convívio dizendo: "votarei em fulano porque é menos pior". Isso não é absurdo? Por que somos obrigados a escolher quando não temos boas opções? Votar com consciência é uma obrigação. Mas como cobrar conscientização e politização de uma sociedade com uma educação como a nossa, não é?
Será que estamos fadados a viver num país cada vez pior? Um país cuja moeda de compra de votos é o Bolsa Família, porque o governo não quer ensinar a pescar ao invés de dar o peixe, mas quer conquistar o voto do povo...e conseguiu mais uma vez. Que triste.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O que é a inclusão?

Olá.  Vocês já ouviram falar da inclusão nas escolas e nas empresas? É um projeto maravilhoso que tem nos ensinado que os portadores de necessidades especiais são capazes de realizar quaisquer atividades com muita dedicação e perfeição, e essa visão contribue para que, finalmente, sejam inseridos na sociedade como seres humanos que, possuem algumas diferenças, mas que merecem toda a atenção e carinho que tanto necessitamos. Afinal,o que seria de nós se não fossem as diferenças? O mundo seria bem sem graça, não é?
Agora, o que  me preocupa e até revolta é o modo como o Governo do Estado de São Paulo encara e trata desse assunto. As crianças são jogadas na escola, os professores e funcionários não possuem treinamento para lidar com as diferenças de comportamento desses alunos e, o pior, os professores são obrigados a se responsabilizarem por seus alunos ( cerca de 30, 35 alunos ), alfabetizá-los, haja vista chegarem aos finais dos ciclos sem autonomia na escrita e na leitura e, além de todas estas tarefas, dar atenção a essas crianças, que muitas vezes chegam à escola sem limites, pois os pais acreditam que amar  é soltar, é realizar todas as vontades da criança, principalmente quando é especial.
Esse tipo de inclusão tem bons resultados? Até que ponto a "inclusão" feita pelo governo não exclui definitivamente esses seres humanos do mercado de trabalho e até mesmo da vida. Se o projeto visa a socialização desses alunos, algo está errado e tanto as escolas quanto os pais não são valorizados e ouvidos....Será que não querem ouvir a verdade? Por que acabaram com as salas de aula apropriadas para esses alunos? Será que tudo se resume em economia e desvalorização da Educação? Pensem nisso...
Um abraço  

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O dia de hoje...

Olá.Preciso relatar para vocês o dia de hoje: Levamos as crianças dos primeiros aos quintos anos do ensino fundamental ao cinema. O filme era bem infantil, é claro: Marmaduke, mas a emoção de ver aquelas crianças num local diferente, num shopping,com  os olhinhos brilhando, apreciando as novidades, valeu a pena!!!!
Pode parecer estranho, mas as crianças da escola na qual eu trabalho são muitíssimo carentes: carentes de atenção, de carinho, de família... Os pais não lhes dão mais a atenção que nossos pais nos davam, não dão mais aquelas broncas maravilhosas que nos deixaram saudades, por incrível que pareça. Dizem não ter tempo para os filhos...Espero que não encontrem na rua quem lhes dê atenção...
Bem, assistimos ao filme, comemos pipoca, tomamos refrigerante e, quando terminou o filme, as crianças aplaudiram...aplaudiram com o coração e isso me mostrou o quanto aquele passeio ao cinema, tão corriqueiro pra nós, foi importante para os pequenos corações que ali estavam.E novamente comecei a refletir o quanto nossas crianças precisam da nossa atenção!!! Acordem, pais!!!! Reflitam!!!Esse tempo com seus filhos não voltará mais!!! abraços...

domingo, 10 de outubro de 2010

Reflexões sobre a educação no Brasil

Ontem, assistindo ao horário eleitoral na televisão, me surpreendi mais uma vez: não consigo acreditar que o povo brasileiro, principalmente os que conhecem e vivenciam os problemas da educação no Brasil, escutem pacificamente tudo o que é dito, as propagandas enganosas e, ainda assim, consigam votar e declarar que devemos votar no candidato" menos corrupto"!!! 
A educação brasileira está totalmente esquecida pelos governantes: fingimos que ensinamos, os alunos fingem que aprenderam e os pais, que acostumaram-se a simplesmente deixar seus filhos na escola, não criticam, não lutam por melhorias, não apoiam o trabalho dos professores...
É muito triste acompanhar a falência da educação. Em vinte anos de profissão em sala de aula, acompanho a desvalorização dos professores e do nosso  trabalho, assim como a corrupção na área educacional: somos pressionados a "dar" notas para os alunos, pois a Secretaria da Educação e as Diretorias de ensino precisam mostrar números positivos ao mundo. Até quando seremos uma classe desunida e acomodada? Até quando o povo continuará calado, diante de tantas injustiças sociais? Quais as chances dos nossos alunos da rede pública na sociedade?  Pensem nisso. Até a próxima.